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Antes de iniciar o tratamento, o Cirurgião-Dentista deve adotar alguns protocolos de atendimento ao tratar pacientes que usam medicamento.

O medicamento anticoagulante ajuda a controlar a velocidade de coagulação do sangue, impedindo a formação de coágulos no coração, nas artérias e nas veias. A medicação pode ser via oral e parenteral [administração subcutânea (enoxaparina) ou intravenosa (heparina não-fracionada).

De acordo com o médico cardiologista, pós-graduando em Ciências da Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador da Residência Médica em Cardiologia do Hospital Israelita Albert Einstein, Antonio Carlos Bacelar Nunes Filho, “dentre os anticoagulantes orais podemos citar os antagonistas da vitamina K, cuja principal medicação utilizada em nosso meio é a varfarina. Temos ainda os novos anticoagulantes orais como a dabigatrana (inibidor da trombina), rivaroxabana e apixabana (ambos inibidores direto do fator Xa).” Bacelar explica que a principal indicação para a utilização dos anticoagulantes orais são na prevenção de eventos tromboembólicos para pacientes com fibrilação atrial (arritmia cardíaca mais comum), no tratamento e na profilaxia do tromboembolismo arterial ou venoso (trombose venosa profunda e embolia pulmonar). Também são utilizados para pacientes com prótese valvar mecânica e raros casos de trombofilias.”

Antes de iniciar o tratamento o Cirurgião-Dentista deve adotar alguns protocolos de atendimento ao tratar pacientes que usam anticoagulantes como: inicialmente, deve-se saber o tipo de anticoagulante usado pelo paciente e sua indicação (risco tromboembólico, por exemplo: prótese mecânica é considerado alto risco e fibrilação atrial em paciente jovem é considerado baixo risco). “Além disso, deve ser avaliado o risco de sangramento durante o procedimento odontológico (exemplos de procedimento de alto risco de sangramento: múltiplas extrações dentárias, enxerto ósseo, trauma com fratura óssea, implantes complexos. Baixo risco de sangramento: extrações simples, colocação, ajuste ou remoção de aparelhos ortodônticos)”, detalha Antonio Carlos Bacelar.

Para médico e doutor em Cardiologia do Hospital Albert Einstein, Ricardo Casalino, é importante destacar que o AAS (Ácido Acetil Salicílico) é um antiagregante plaquetário, pois inibe apenas a primeira etapa da cascata da coagulação. “Atua na cliclooxigenase e diminui a agregação das plaquetas. A warfarina inibe os fatores de coagulação II, VII, IX e X. Portanto, são mecanismos diferentes e com riscos diferentes.”

É importante salientar que paciente não deve tomar AAS sem orientação médica e que o Cirurgião-Dentista deve evitar receitar AAS para quem já toma anticoagulantes.

Os Cirurgiões-Dentistas devem ter cuidados e aumentar a atenção para medidas hemostáticas locais durante o procedimento para prevenir os sangramentos no intra e pós-operatório. “Para segurança de sua conduta de do paciente, ele deve saber o INR do paciente na semana do procedimento, caso não tenha esse exame, o tratamento deve ser agendado para outra data”, adverte Casalino.

Para pacientes em uso de Varfarina, Bacelar afirma que o Cirurgião-Dentista deve solicitar o Tempo de Protrombina / Relação Normatizada Internacional (TP/INR) na semana do procedimento. “Caso o TP/INR menor do que 3, pode ser feito apenas procedimentos de baixo risco de sangramento sem a suspensão do medicamento. Caso o TP/INR seja maior do que 3, o procedimento deve ser postergado. Para procedimentos com alto risco de sangramento e alto risco tromboembólico (exemplo, prótese mecânica) deve-se suspender a varfarina 5 dias antes do procedimento e fazer a ponte com enoxaparina (e suspender de 12 a 24 horas antes do procedimento). Após o procedimento, reintroduzir a varfarina, assim que possível.”

Para procedimentos com baixo risco de sangramento, suspender os novos anticoagulantes (dabigatrana, rivaroxabana e apixabana) 24 horas antes do procedimento, e retornar o uso assim que possível (de preferência de 24 a 48 horas após o procedimento). “Deve-se ter cautela em relação aos novos anticoagulantes, pois estes geralmente não alteram os exames de coagulação tradicionais (coagulograma)”, alerta Bacelar.

Para procedimentos com alto risco de sangramento, suspender os novos anticoagulantes 48 horas antes do procedimento. E retornar o uso assim que possível (de preferência de 24 a 48 horas após procedimento).

Antônio Bacelar ressalta que antes de realizar qualquer procedimento cirúrgico é fundamental que o Cirurgião-Dentista durante sua anamnese pergunte se o paciente faz uso de anticoagulante, qual o tipo e a indicação. “A utilização de anticoagulantes é muito comum na prática clinica e aumenta o risco de sangramento e complicações durante os procedimentos odontológicos. Antes de qualquer procedimento, é importante saber se o paciente faz uso de alguma medicação anticoagulante para tomar medidas específicas no peri-operatório para minimizar o risco dessas complicações. Nesses casos, é fundamental a interação entre o Cirurgião-Dentista e o médico do paciente. Sempre que possível, pedir uma avaliação para o médico sobre o manejo dos anticoagulantes antes dos procedimentos”, finaliza.

Fonte: APCD CENTRAL