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Prevenção, diagnóstico, prognóstico, tratamento e controle das alterações são meios de preservação dos dentes.

A Endodontia é o campo da Odontologia que estuda a morfologia da cavidade pulpar, a fisiologia e a patologia da polpa dental, bem como a prevenção e o tratamento das alterações pulpares e de suas repercussões sobre os tecidos peridentários. A palavra Endodontia provém do grego que significa “En” = dentro, e “Odus” = dente.

Acredita-se que o uso de substâncias químicas com o intuito de auxiliar na limpeza dos canais teve início em meados do século XIX, quando surgiu pela primeira vez o uso do hipoclorito de sódio. A vice-diretora do Departamento de Endodontia do Conselho Científico da APCD (Coci), Maria Esperança Mello Sayago, conta que “a Endodontia ganha mais prova de sua existência com as constatações arqueológicas de drenagem da câmara pulpar para alívio da dor e uso de protetores pulpares feitos de folha de ouro ou amianto.” De acordo com a especialista, os grandes avanços na instrumentação automatizada surgiram no final da década de 1990 e não param de acontecer até os dias atuais com diversos tratamentos térmicos aplicados as ligas de níquel titânio conferindo maior resistência e flexibilidade, alterando o design das limas e tornando-as mais seguras, diminuindo significativamente a quantidade de instrumentos usados no preparo do canal.

Em 1963 a Endodontia foi reconhecida como a oitava especialidade odontológica pela American Dental Association (ADA). Já no Brasil, o reconhecimento da especialidade também aconteceu na década de 1960, porém, só em 2009 foi fundada a entidade representativa da área no país, a Associação Brasileira de Endodontia (Sbendo), que hoje tem como conselheiro curador o Cirurgião-Dentista e especialista na área, Manoel Eduardo de Lima Machado.

As áreas de competência do endodontista são: tratamentos conservadores da vitalidade pulpar; tratamento cirúrgico nos tecidos e na cavidade pulpar; procedimentos endodônticos cirúrgicos; tratamento de dentes permanentes jovens com rizogênese incompleta; tratamento dos traumatismos dentários e recuperação da cor dental.

O conselheiro da Sbendo ressalta que “para o endodontista hoje, os principais campos de atuação estão ligados ao planejamento de serviços públicos e ao atendimento em diversos consultórios, onde o profissional pode ir a diferentes clínicas e exercer a sua função. Além disso, também sobre um ponto de vista da universidade, ele pode se tornar, por exemplo, um pesquisador sobre o assunto que mais lhe convém dentro desta área”.

A Cirurgiã-Dentista e especialista em Endodontia, Liris Silmar Jacintho Pereira destaca que “a principal função da Endodontia é a de promover a saúde do elemento dental, bem como a de restabelecer a funcionalidade dele no sistema estomatognático.” Para a especialista essa é a busca maior: a saúde do paciente. Liris conta que as lesões odontogênicas, por menores que possam parecer, podem afetar o organismo como um todo como, por exemplo, no caso de pacientes portadores de doenças como Diabetes Mellitus, que encontram dificuldades no acerto da dosagem de insulina em decorrência de lesões endodônticas, bem como problemas gengivais que dependendo de outras situações simultâneas podem acarretar em uma endocardite bacteriana e também partos prematuros. “Devemos sempre pensar que a cavidade oral faz parte de um todo que é o corpo humano e, portanto, interfere na estabilidade desse sistema. O especialista traz a normalidade a esse sistema, para colaborar na reabilitação do elemento dental e retomar a função e a estética do paciente”, conta a endodontista.

 

 

Fundamentais contribuições tecnológicas na área

De acordo com Machado, a Endodontia tem inúmeras contribuições significativas. Porém, o desenvolvimento de técnicas que são realmente eficientes, simples e com bom resultado clínico são as mais relevantes. “Acho que a especialidade nos últimos anos mudou bastante porque o desenvolvimento desses novos instrumentos reciprocantes, o uso de ativadores sônicos e ultrassônicos, as obturações com cones únicos, o microscópio também, passaram ao auxiliar muito dentro dessa questão”.

A especialidade tem tido muitos avanços devidos os aparelhos utilizados na terapia, que em muito contribui para adiantar o trabalho clínico. “Hoje temos muitos meios de realizar uma terapia endodôntica com maior rapidez lançando mão do uso de aparelhos rotatórios para a instrumentação dos canais, auxiliados por aparelhos de ultrassons para uma melhor eficiência das substancias irrigadoras, melhorando inclusive o acesso ao sistema de canais radiculares, a microscopia óptica que vem para aumentar nossa visão do campo operatório e materiais que foram desenvolvidos para acompanhar toda essa tecnologia, além da tomografia para esclarecer sobre áreas que possam ficar obscuras. Porém com toda essa tecnologia atual, não podemos esquecer que a Odontologia é uma arte. E como tal, exige eficiência, acuidade, capricho, conhecimento cientifico e técnico”, aponta Liris Jacintho

Maria Sayago concorda “que até então as técnicas eram somente rotatórias e novos movimentos para a instrumentação automatizada surgiram.” Segundo a especialista, a obturação também se tornou mais simplificada à medida que cones de guta-percha foram confeccionados com a mesma conicidade e diâmetro da ponta das limas endodônticas utilizadas no preparo automatizado. Sendo assim, a alta taxa de sucesso do tratamento endodôntico se deve também a um maior conhecimento por meio de pesquisas na área de microbiologia e anatomia e a outros recursos tecnológicos.

Desafios vivenciados dia a dia

Para Liris Jacintho a Endodontia e a Odontologia, como toda área da saúde deverão cada vez mais buscar a humanização, levando ao paciente maior segurança, conforto e confiança. “Afinal o mais importante para o profissional é a realização de um bom trabalho. Hoje temos jovens sem cárie, graças a programas de conscientização da população, ao trabalho de orientação dos colegas frente aos seus pacientes, a promoção de saúde feita pelos órgãos do governo e pelas entidades de classe como a APCD. A população do Brasil está envelhecendo, teremos idosos dentados, o que não era uma realidade a tempos atrás. Precisamos estar preparados para recebê-los e isto só será possível com a educação continuada. Esse papel é muito bem realizado por nossa entidade, dentro dos cursos oferecidos, capacitando os colegas as diferentes formas de abordagem nos diversos tipos de clientes, para que assim possam ser tratados adequadamente com suas limitações e/ou doenças adquiridas”.

Fonte: APCD Central