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Em 18 de março, na Assembleia Legislativa de São Paulo, foi realizada uma Audiência Pública para discutir a qualidade e os instrumentos de avaliação na formação de profissionais da área da Saúde, promovida pelo Fórum dos Conselhos e Atividades Fins da Saúde, por uma iniciativa do deputado estadual Carlos Neder. Participaram diversos conselhos profissionais, entre os quais o Crosp, representado pelo conselheiro Marco Antônio Manfredini, e a APCD , representada pelo presidente da Comissão de Estudos do Conselho Deliberativo (Codel) para aplicação do Exame de Proficiência, Sidney Tadeu Lima Manoel.

O deputado Carlos Neder frisou a importância de se definir qual o sistema de saúde desejado, pensar no mercado de trabalho atual, e ainda como melhorar a qualidade dos profissionais de saúde. Já a primeira dama do município de São Paulo e professora associada da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, Ana Estela Haddad, e o diretor do Departamento de Gestão da Educação da Saúde, do Ministério da Saúde, Alexandre Medeiros de Figueiredo, exaltaram a importância de se fortalecer a avaliação ao longo do processo de ensino nas instituições.

Um ponto de bastante repercussão foi o exame do Cremesp, que avalia os recém-formados em medicina. Segundo João Ladislau Rosa, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, mais de 2.800 estudantes participaram do exame em 2013. A prova com cerca de 180 questões foi considerada fácil; no entanto, 59% dos profissionais foram reprovados.

“Podemos ter algumas opiniões divergentes entre os conselhos profissionais, e ter avaliações diversificadas, mas com certeza acordamos quanto à importância da formação da ética e a fiscalização do exercício profissional. E essas duas funções têm sido exercidas plenamente”, acrescentou Marco Antônio Manfredini, conselheiro do Crosp. Hoje em dia, há cerca de 120 mil profissionais no Estado de São Paulo, sendo que destes 78 mil profissionais são Cirurgiões-Dentistas. O Crosp vem buscando articular ações conjuntas com a Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno) e com as faculdades responsáveis pelos 42 cursos de Odontologia ofertados no Estado.

Sidney Manoel acrescenta que o Conselho Regional de Medicina relatou a experiência da aplicação do exame de proficiência e demonstrou inequivocamente a preocupação pelos resultados pífios apresentados. “Este modelo utilizado pelo Conselho caracteriza um modelo de avaliação cognitiva padrão ouro em todo mundo. O mesmo é aplicado e terceirizado pela fundação Carlos Chagas, demonstrando total isenção e idoneidade na aplicação do exame. A abertura excessiva de cursos na área da saúde vem penalizando a formação profissional. Os Conselhos têm a função precípua de fiscalizar também os recém-egressos de cursos que, muitas vezes, propiciam uma formação deficiente, e que, por sua vez, repercutem em sequelas irreversíveis no atendimento à sociedade.”

A Comissão de Estudos do Codel da APCD para o exame de proficiência foi criada e referendada em novembro de 2006. “Entre outros aspectos favoráveis para a aplicação do exame de proficiência na Odontologia, a Comissão elaborou um relatório com as seguintes conclusões: o exame não se propõe a avaliar os melhores, mas sim a selecionar aqueles com qualificação mínima; não será a solução de todos os problemas, mas é um instrumento confiável e que poderia somar-se a outros critérios de avaliação. A sociedade ganharia, sendo assistida por profissionais mais qualificados e preparados e os profissionais mais diferenciados denotariam uma categoria mais forte e preparada para responder as demandas de saúde da população. O aluno cobraria mais do curso, exigindo um comprometimento maior da instituição de ensino para melhorar o seu desempenho. Vários países de primeiro mundo já aplicam o exame de proficiência, pois nestes países fica claro que os cursos de graduação são para capacitação do aluno e não um habilitador para o exercício profissional”, observa Sidney Manoel.

Adriano Forghieri, presidente da APCD – Central, ressalta que a associação defende o exame de proficiência desde que seja feito com responsabilidade para melhorar a qualidade do ensino em Odontologia no Brasil.

Fonte: APCD – Central