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A utilização de hormônios vem se revelando como uma ferramenta terapêutica valiosa no dia a dia de todas as especialidades dentro da Odontologia. Os tempos de tratamentos ficam encurtados e a qualidades das respostas clínicas têm sido superiores às dos tratamentos convencionais isolados. Os hormônios eicosanoides, o DHEA, a Melatonina, a Coenzima Q10, a Vitamina D (que é um hormônio – colecalciferol) dentre outros, influenciam de modo significativo o controle de gengivite e periodontite, perda óssea alveolar, incidência de cárie, disfunções temporomandibular (DTM) entre outras.

De acordo com a médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós-graduada em Estética Médica e em Ciências do Envelhecimento, Margarita Ubaldo, hormônios são mensageiros químicos que restauram, reparam e regeneram os tecidos do corpo humano. “A literatura está repleta de estudos em inúmeros países e vem evidenciando de forma inequívoca o benefício que vários hormônios trazem à saúde bucal. Estes trabalhos demostram também que os tratamentos em Odontologia podem ser encurtados quanto ao número de sessões e que os resultados têm se mostrado bastante superiores em relação à qualidade de resposta clínica final”.

A Cirurgiã-Dentista, pesquisadora do grupo de Bioengenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lucila Largura, que junto da médica Margarita tem transmitido os conhecimentos sobre o uso de hormônios na Odontologia no Brasil, explica que a inflamação crônica pode se estabelecer no nosso organismo, decorrente do sedentarismo, dieta inadequada rica em carboidratos e gorduras trans, estresse crônico e/ou oxidativo, excesso de radicais livres etc. “O resultado é redução dos níveis hormonais, dos níveis de antioxidantes e vitaminas, diminuição de Interleucinas anti-inflamatórias (ex, IL-10) aumento da homocisteína, de PCR ultrassensível, de Interleucinas pró-inflamatórias (ex, IL-6), de Ômega 6, desencadeando, consequentemente, muitas patologias, como obesidade, osteoporose, diabetes tipo II, doenças cardiovasculares etc. Os estudos têm demonstrado que algumas doenças bucais sofrem influências dos fatores inflamatórios e da redução de níveis hormonais, especialmente as doenças periodontais, a perda óssea alveolar, e risco aumentado à cárie”.

Lucila exemplifica que a concentração de PCR (Proteína C Reativa) pode ser usada para a detecção precoce e a predição da doença periodontal. “Pesquisas revelam que a periodontite e a presença de P. gingivalis estão associados com uma resposta inflamatória aumentada expressa por níveis mais elevados de PCR. A associação de periodontite com níveis de PCR parece ser um fator que contribui para as doenças cardiovasculares e pode ser um possível caminho intermediário nesta associação. Por esse motivo, é fundamental que, ao tratar a periodontite de um indivíduo, o Cirurgião-Dentista conheça os níveis de PCR e outros parâmetros inflamatórios que poderão estar alterados. O tratamento da periodontite, nesse caso, poderá incluir a administração de Coenzima Q 10, Ômega 3, por exemplo. Isto porque, como revelam os estudos, Coenzima Q10 inibe a expressão de TNF-alfa e promove a expressão de IL-10 nos tecidos periodontais com periodontite, mostrando que a Coenzima Q10 pode desempenhar um importante papel no tratamento da periodontite. De forma semelhante, o hormônio eicosanoide ômega 3, EPA e DHA apresentam atividade antimicrobiana considerável e sua suplementação pode ser útil no desenvolvimento de agentes terapêuticos para doenças orais”.

Outro exemplo dado por Lucila refere-se a um ensaio randomizado realizado na Universidade de Harvard em que foi verificado que a suplementação de DHA melhorou significativamente os resultados periodontais em pessoas com periodontite, indicando potencial eficácia terapêutica. “Outro recente estudo sugere que Ômega-3 FAs pode conseguir reduzir a inflamação gengival, profundidade de sondagem e ganho de nível de inserção. A suplementação com Ômega-3 FAs podem ter benefícios potenciais como um agente modulador de acolhimento na prevenção e/ou gestão adjuvante da periodontite crônica”.

A Cirurgiã-Dentista ainda fala da dehidroepiandrosterona (DHEA), um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e pelo cérebro. “Sua deficiência tem sido sugerida pelos estudos como um fator relevante para acentuar a perda óssea, e também da periodontite. Encontraram-se estreitas correlações entre a extensão e a severidade da periodontite e níveis de cortisol e DHEA em idosos saudáveis. A suplementação de dehidroepiandrosterona tem sido sugerida para prevenção de fraturas ósseas, perda óssea (e consequentemente perda de implantes) e tratamento de periodontite. Ainda poderíamos falar de muitos outros hormônios, especialmente da Vitamina D, que não é uma vitamina e sim um hormônio e está intimamente associada ao risco aumentado de cárie. Assim, é obrigação do Cirurgião-Dentista diagnosticar e tratar hipovitaminose de Vitamina D”, considera Lucila.

Por fim, a Cirurgiã-Dentista ensina que os tratamentos são feitos com uma consulta clínica seguida da solicitação dos exames laboratoriais. “Com os dados clínicos e laboratoriais em mãos o Cirurgião-Dentista fecha o diagnóstico e pode imediatamente passar a tratar seus pacientes. Lembrando que o Cirurgião-Dentista pode prescrever tudo o que a ciência preconiza que tenha relação direta com o problema do paciente. Algumas situações clínicas, como menopausa, diabetes etc., também podem estar interferindo na saúde bucal. Nesse caso, é dever do Cirurgião-Dentista diagnosticar o problema e encaminhar para o médico”.

Fonte: APCD – Central